São Francisco do Sul: a cidade onde começou a história do Sul do Brasil

Cercada pelas águas da Baía Babitonga e marcada por mais de cinco séculos de história, São Francisco do Sul ocupa um lugar único no mapa brasileiro. Conhecida carinhosamente como São Chico, a cidade mais antiga de Santa Catarina reúne patrimônio histórico, belezas naturais, tradição marítima e um dos portos mais importantes do país. Poucos lugares conseguem combinar, em um mesmo cenário, ruas de pedra, casarões coloniais, praias, ilhas, manguezais e um centro histórico que preserva parte importante da formação do Brasil. A terceira cidade mais antiga do país Os registros históricos apontam que os primeiros europeus chegaram à ilha em 1504, quando o navegador francês Binot Palmier de Gonneville teria desembarcado na região. Por esse motivo, São Francisco do Sul é considerada a cidade mais antiga de Santa Catarina e uma das três mais antigas do Brasil. O povoamento permanente ocorreu posteriormente, em meados do século XVII, com a chegada de portugueses e paulistas pela Baía Babitonga. A partir dali nasceu o povoado de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco, origem da cidade que conhecemos hoje. No coração do centro histórico está a Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça, considerada a igreja mais antiga de Santa Catarina e um dos símbolos da colonização da região. Um dos centros históricos mais preservados do Brasil O conjunto arquitetônico de São Francisco do Sul recebeu reconhecimento nacional em 1987, quando foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O diferencial é que a proteção vai além dos casarões históricos. O tombamento contempla também a paisagem urbana, os morros que cercam a cidade e a relação direta entre o centro histórico e a Baía Babitonga. São cerca de 400 imóveis preservados, formando um dos conjuntos coloniais mais importantes do país. As fachadas coloridas, as ruas estreitas e a proximidade com o mar criam uma atmosfera que transporta visitantes para diferentes períodos da história brasileira. A beleza da Baía Babitonga O cenário histórico é complementado pelas águas da maior baía navegável de Santa Catarina. A Baía Babitonga abriga uma rica biodiversidade e oferece paisagens que mudam ao longo do dia. Ao entardecer, não é raro observar toninhas, pequenos golfinhos característicos da região, surgindo próximo às embarcações e aos trapiches. Da baía também partem passeios para algumas das ilhas que compõem o arquipélago local, como a Ilha da Rita e a Ilha da Paz, locais cercados por natureza e história. O que conhecer em São Chico Além do centro histórico, São Francisco do Sul oferece atrações para diferentes perfis de visitantes. Entre os principais pontos turísticos estão: Centro Histórico – Casarões coloniais, a Igreja Matriz e o Mercado Público à beira da baía. Museu Nacional do Mar – Considerado uma das principais referências do país na preservação da cultura marítima brasileira. Vila da Glória – Região continental do município, conhecida pelas trilhas, cachoeiras e pela travessia de balsa pela Baía Babitonga. Praias da Enseada e Ubatuba – Entre as mais procuradas da cidade, com boa infraestrutura e águas adequadas para banho. Parque Estadual do Acaraí – Importante área de preservação ambiental com trilhas e ecossistemas típicos da Mata Atlântica. Praia do Ervino – Extensa faixa de areia localizada na parte continental do município, muito procurada por praticantes de esportes e amantes da natureza. Uma economia impulsionada pelo mar Atualmente, São Francisco do Sul possui cerca de 56 mil habitantes, número que aumenta significativamente durante a temporada de verão. A economia local se apoia em duas grandes vocações: o turismo e a atividade portuária. O município abriga o maior porto de Santa Catarina, responsável pela movimentação de cargas destinadas ao mercado nacional e internacional. Essa combinação entre patrimônio histórico, turismo e logística faz da cidade uma das economias mais relevantes do litoral catarinense. Um destino que une passado e futuro Poucas cidades brasileiras conseguem reunir em um único território mais de 500 anos de história, praias preservadas, uma das maiores baías do país e um porto de importância estratégica para a economia nacional. São Francisco do Sul é um lugar onde o passado permanece vivo em cada rua, em cada casarão e em cada vista para a Baía Babitonga. Um destino que convida moradores e visitantes a conhecer não apenas uma cidade, mas um capítulo fundamental da história do Sul do Brasil. Quem caminha pelo centro histórico de São Chico não encontra apenas monumentos e construções antigas. Encontra vestígios de uma história que começou há mais de cinco séculos e continua sendo escrita todos os dias às margens da Babitonga.
Justiça condena empresários e empresas por crimes ambientais em loteamento na Praia do Ervino

A Justiça condenou empresários e empresas do setor imobiliário por crimes ambientais relacionados à implantação do loteamento Jardim Giovana, localizado na Praia do Ervino, em São Francisco do Sul. A decisão atende denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que apontou irregularidades no processo de licenciamento ambiental e na supressão de vegetação protegida pertencente ao bioma Mata Atlântica. De acordo com a sentença, um empresário do ramo imobiliário foi condenado a cinco anos, dois meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa. A empresa da qual ele é sócio-administrador também foi condenada, assim como outras duas empresas envolvidas no empreendimento. Restrições às empresas Como a legislação brasileira não prevê o cumprimento de pena privativa de liberdade por pessoas jurídicas, a Justiça determinou medidas restritivas às empresas condenadas. Entre elas está a suspensão, pelo período de seis meses, de atividades relacionadas à supressão vegetal, terraplanagem e implantação de novos empreendimentos que dependam de licenciamento ambiental. As empresas também ficarão impedidas de contratar com o poder público ou receber incentivos, subsídios e benefícios governamentais durante o período estabelecido pela sentença. Estudos ambientais sob questionamento Segundo a ação penal, o loteamento foi implantado em uma área de aproximadamente 484 mil metros quadrados na Praia do Ervino. O Ministério Público sustentou que estudos ambientais considerados enganosos teriam sido utilizados para obtenção das licenças necessárias para o empreendimento. A investigação apontou que o levantamento técnico apresentado utilizou metodologia incompatível com as características da área e teria deixado de registrar a presença de espécies protegidas, entre elas o palmito-juçara (Euterpe edulis), espécie ameaçada de extinção e protegida pela legislação ambiental. Laudos apontaram vegetação protegida Perícias realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Polícia Federal concluíram que a área possuía vegetação de restinga e de transição florestal pertencente ao bioma Mata Atlântica. Os laudos também indicaram que os critérios adotados nos estudos ambientais poderiam ter ampliado artificialmente a área autorizada para supressão vegetal, possibilitando a remoção de vegetação em extensão superior à que seria permitida. Destruição de vegetação nativa De acordo com os autos do processo, entre abril e outubro de 2016 foram destruídos cerca de 22,8 hectares de vegetação secundária em estágio avançado de regeneração. O Ministério Público afirma que as intervenções continuaram mesmo após manifestações técnicas contrárias de órgãos ambientais e de uma decisão judicial que já havia suspendido a autorização para o corte da vegetação na área. Uma das pessoas investigadas celebrou acordo de não persecução penal com o Ministério Público e, por esse motivo, não respondeu à ação penal. As atividades relacionadas ao empreendimento permanecem paralisadas desde a época dos fatos. Cabe recurso A sentença foi proferida em primeira instância e ainda pode ser contestada por meio de recursos nas instâncias superiores. O caso é considerado um dos mais relevantes processos ambientais envolvendo a região do Ervino e reforça o debate sobre a preservação dos ecossistemas de restinga e Mata Atlântica no litoral norte catarinense.
Obras de saneamento avançam em São Francisco do Sul e ampliam qualidade de vida da população

A ampliação da rede de esgotamento sanitário segue promovendo melhorias importantes em diferentes regiões de São Francisco do Sul. Entre os dias 8 e 13 de julho, a concessionária Águas de São Francisco do Sul realizará uma série de intervenções que visam fortalecer a infraestrutura urbana e ampliar os benefícios relacionados à saúde pública, à preservação ambiental e à qualidade de vida da população. As equipes atuarão em diversos pontos da cidade, com destaque para a Estrada do Forte, Rua Rosas do Mar, Rua da Corda e Rua S/D, onde serão implantados novos poços de visita e realizadas ligações domiciliares à rede de esgoto. Essas estruturas desempenham um papel fundamental no funcionamento do sistema de saneamento, permitindo que os efluentes produzidos nas residências sejam coletados e encaminhados adequadamente para tratamento. O processo contribui para a redução da contaminação do solo, protege rios e áreas costeiras e ajuda a preservar os recursos naturais do município. Melhorias na rede existente Além da expansão da infraestrutura, o cronograma prevê ações de manutenção e aperfeiçoamento da rede já implantada. Os serviços ocorrerão nas ruas Chile, Washington, Estados Unidos, Argentina e Paraguai, além da Estrada do Capri. Nesses locais, serão executadas atividades de melhorias operacionais e lavagem da rede coletora, medidas consideradas essenciais para garantir o bom funcionamento do sistema, prevenir entupimentos e aumentar a eficiência da coleta de esgoto. Investimento que beneficia toda a cidade O saneamento básico é apontado por especialistas como um dos principais indicadores de desenvolvimento urbano e qualidade de vida. Além dos impactos diretos na saúde da população, a expansão da rede de esgoto contribui para a valorização dos imóveis, a preservação ambiental e o fortalecimento do turismo, setor fundamental para a economia de São Francisco do Sul. As obras fazem parte de um conjunto de investimentos que buscam preparar a cidade para o crescimento futuro, garantindo uma infraestrutura mais moderna e adequada às necessidades da população. Um legado para as próximas gerações Cada nova ligação realizada e cada trecho de rede ampliado representam avanços importantes para a construção de uma cidade mais sustentável. Ao investir em saneamento, São Francisco do Sul fortalece um dos pilares mais importantes do desenvolvimento urbano e cria condições para que as futuras gerações encontrem uma cidade mais saudável, organizada e ambientalmente responsável. Mais do que obras subterrâneas, muitas vezes invisíveis aos olhos da população, os investimentos em esgotamento sanitário refletem diretamente na qualidade de vida de quem vive, trabalha e visita a cidade.
Porto de São Francisco do Sul conquista prêmio inédito da OEA e vira referência ambiental nas Américas

O Porto de São Francisco do Sul acaba de alcançar um reconhecimento histórico para o setor portuário brasileiro. A autoridade portuária catarinense recebeu o Prêmio Marítimo das Américas 2026, concedido pela Organização dos Estados Americanos (OEA), tornando-se o primeiro porto público do Brasil a vencer a categoria “Iniciativas Verdes em Portos” em toda a história da premiação. O reconhecimento internacional destaca um projeto que une desenvolvimento econômico, ampliação da infraestrutura logística e recuperação ambiental, colocando a Baía Babitonga no centro de uma das iniciativas mais inovadoras do continente. Dragagem com propósito ambiental A premiação foi concedida em razão da obra de aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga, iniciada em 2024. O projeto prevê a retirada de aproximadamente 12,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos para permitir a entrada de embarcações maiores nos portos de São Francisco do Sul e Itapoá, aumentando a competitividade do complexo portuário catarinense. O que chamou a atenção dos avaliadores internacionais foi o destino dado ao material dragado. Em vez de ser descartada em alto-mar, parte significativa da areia retirada está sendo utilizada em uma grande obra de recuperação costeira em Itapoá. Ao longo de um trecho de cerca de oito quilômetros, a faixa de areia da praia está sendo ampliada em uma intervenção considerada uma das maiores já realizadas no Brasil com essa finalidade. Reconhecimento internacional O projeto catarinense foi escolhido por um comitê internacional entre 30 iniciativas apresentadas por representantes de 11 países das Américas. A cerimônia de premiação ocorreu nesta semana, em Barbados, e contou com a presença de autoridades e representantes do setor marítimo internacional. O prêmio foi recebido pelo presidente do Porto de São Francisco do Sul, Cleverton Vieira, que representou a autoridade portuária durante o evento. Muito além da infraestrutura Além dos benefícios para a navegação e para a economia regional, a iniciativa contempla uma série de ações ambientais. Entre elas estão a recuperação de dunas, o plantio de espécies nativas de restinga e a implantação de estruturas de proteção para reduzir o impacto sobre a vegetação costeira. A proposta demonstra que obras de grande porte podem ser planejadas de forma integrada, conciliando crescimento econômico e preservação ambiental. Um novo modelo para os portos brasileiros O reconhecimento da OEA reforça uma tendência que vem ganhando espaço no setor portuário mundial: a busca por soluções capazes de ampliar a capacidade operacional sem abrir mão da sustentabilidade. No caso da Baía Babitonga, a dragagem deixou de ser apenas uma obra de infraestrutura para se transformar também em uma ferramenta de recuperação ambiental. Essa combinação entre eficiência logística e responsabilidade ecológica foi justamente o diferencial que colocou São Francisco do Sul em destaque entre projetos de todo o continente. Para a cidade e para Santa Catarina, o prêmio representa mais do que uma conquista institucional. É o reconhecimento internacional de uma iniciativa que projeta a região como referência em inovação, desenvolvimento sustentável e gestão portuária.
A cidade mais azul do Brasil: São Francisco do Sul coleciona Bandeiras Azuis e se destaca no turismo sustentável

A cidade mais antiga de Santa Catarina também conquistou um título que a coloca em evidência no cenário nacional do turismo sustentável. São Francisco do Sul é atualmente o município brasileiro com o maior número de certificações Bandeira Azul, um dos mais importantes reconhecimentos internacionais relacionados à qualidade ambiental de praias e marinas. Ao todo, são cinco praias e uma marina certificadas, resultado de um trabalho contínuo voltado à preservação ambiental, à qualidade dos serviços oferecidos aos visitantes e à valorização do patrimônio natural da cidade. A trajetória começou em 2019, quando a Praia da Saudade, mais conhecida como Prainha, recebeu pela primeira vez o selo internacional. Desde então, São Francisco do Sul ampliou sua presença no programa e passou a contar também com as certificações das praias do Ervino, Forte, Grande e Ubatuba — esta última reconhecida pela primeira vez na edição mais recente da premiação. Além das praias, a Marina Villa Real também recebeu a certificação, integrando o seleto grupo das marinas reconhecidas pelo programa no Brasil. O que significa a Bandeira Azul? Considerado por muitos o “Oscar das praias”, o Programa Bandeira Azul é uma iniciativa internacional que reconhece locais comprometidos com a sustentabilidade, a preservação ambiental e a qualidade da experiência oferecida aos visitantes. Para receber a certificação, praias, marinas e embarcações turísticas precisam atender a 38 critérios rigorosos relacionados à qualidade da água, gestão ambiental, segurança, infraestrutura, acessibilidade, educação ambiental e preservação do patrimônio natural e cultural. A adesão ao programa é voluntária e a certificação precisa ser renovada anualmente, exigindo que os critérios continuem sendo cumpridos ao longo do tempo. Reconhecimento que traz responsabilidade Mais do que uma conquista, a certificação representa um compromisso permanente. Manter o selo exige investimentos, monitoramento constante da qualidade ambiental e ações contínuas de conscientização junto à comunidade e aos visitantes. Desafios como o descarte irregular de resíduos, a ocupação desordenada de áreas sensíveis, a preservação da vegetação de restinga e a proteção dos ecossistemas costeiros seguem entre os pontos que exigem atenção. Ao mesmo tempo, o reconhecimento fortalece o turismo local, atrai visitantes em busca de destinos sustentáveis e reforça a imagem de São Francisco do Sul como uma cidade que alia patrimônio histórico, belezas naturais e responsabilidade ambiental. Um exemplo para o Brasil Enquanto muitos municípios buscam conquistar sua primeira Bandeira Azul, São Francisco do Sul se consolida como referência nacional no programa. O resultado demonstra que desenvolvimento turístico e preservação ambiental podem caminhar juntos quando existe planejamento e compromisso coletivo. Com suas praias certificadas, uma marina premiada e uma das mais belas paisagens do litoral catarinense, a cidade segue construindo uma reputação que vai além de sua importância histórica: a de um destino que faz da sustentabilidade uma de suas principais bandeiras.
Entre ruínas e esperança: antigo Hospital de Caridade resiste ao tempo em São Francisco do Sul

No alto de um morro com vista privilegiada para São Francisco do Sul, um dos prédios mais emblemáticos da cidade continua despertando a curiosidade de moradores e visitantes. Com sua arquitetura imponente e quase dois séculos de história, o antigo Hospital de Caridade permanece como um símbolo da memória francisquense e da solidariedade que marcou gerações. Fundado em 2 de outubro de 1859, o hospital foi durante mais de 150 anos uma referência em atendimento médico e ações beneficentes no município. Milhares de pessoas passaram pelos corredores da instituição, que se tornou parte da história de inúmeras famílias da região. As atividades foram encerradas definitivamente em 2012, após o término do convênio com a Prefeitura. Desde então, o futuro do prédio passou a gerar preocupação entre moradores e defensores do patrimônio histórico. Em outubro de 2017, um incêndio atingiu parte da estrutura, agravando o estado de conservação do imóvel e aumentando as incertezas sobre sua preservação. Patrimônio ameaçado Nos últimos anos, o antigo hospital esteve no centro de disputas judiciais e chegou a ser colocado em leilão para o pagamento de débitos trabalhistas. Em 2025, a avaliação do imóvel ultrapassou os R$ 21 milhões. Apesar das tentativas de venda, nenhum interessado apresentou proposta capaz de concretizar a negociação. Segundo a Venerável Ordem Terceira, responsável pela administração do espaço, um dos principais obstáculos é o elevado investimento necessário para restaurar e adaptar uma construção histórica desse porte. Um novo capítulo Mesmo diante dos desafios, o antigo Hospital de Caridade começa a escrever uma nova história. Um grupo de voluntários vem atuando na recuperação gradual do espaço, realizando melhorias estruturais e promovendo ações para aproximar novamente a comunidade do local. Entre as iniciativas mais recentes estão a construção de banheiros acessíveis e intervenções que visam ampliar a utilização do imóvel durante eventos e visitas públicas. Grande parte do trabalho é realizada por meio de doações e mão de obra voluntária. A proposta da atual administração da Ordem Terceira é transformar o prédio em um grande centro humanitário, dedicado ao acolhimento social, à promoção da saúde, ao desenvolvimento de projetos comunitários e ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade. Um símbolo da cidade Mais do que um edifício histórico, o antigo Hospital de Caridade representa uma parte importante da identidade de São Francisco do Sul. Sua localização privilegiada, a arquitetura centenária e as histórias guardadas em suas paredes fazem do local um dos patrimônios mais significativos do município. Enquanto o debate sobre seu futuro continua, voluntários e apoiadores trabalham para garantir que o prédio não seja lembrado apenas como uma construção do passado, mas como um espaço capaz de servir novamente à comunidade. Quase 170 anos após sua fundação, o antigo Hospital de Caridade segue de pé, resistindo ao tempo e alimentando a esperança de que sua história ainda tenha muitos capítulos pela frente.
Canal do Linguado: a ferida ambiental que ainda divide São Francisco do Sul

Durante décadas, a paisagem da Baía Babitonga foi sendo silenciosamente transformada por uma intervenção realizada ainda na década de 1930. O que nasceu como uma obra de infraestrutura para impulsionar o desenvolvimento da região acabou se tornando uma das maiores controvérsias ambientais do litoral catarinense. O Canal do Linguado, que separava a Ilha de São Francisco do Sul do continente, foi aterrado para permitir a passagem da então recém-construída ligação ferroviária entre a ilha e o restante do estado. A obra também abriu caminho para a instalação da rodovia que hoje conecta o município ao continente. Embora tenha facilitado o transporte e contribuído para o crescimento econômico da região, o fechamento do canal interrompeu a circulação natural das águas entre a Baía Babitonga e o oceano, provocando impactos ambientais que são debatidos há décadas por pesquisadores, pescadores e moradores. Especialistas apontam que a alteração do fluxo das marés contribuiu para o assoreamento de diversas áreas, mudanças na salinidade da água e impactos sobre ecossistemas importantes para a biodiversidade local. A pesca artesanal, atividade tradicional e fonte de renda para muitas famílias da região, também teria sido afetada ao longo dos anos. A discussão sobre uma possível reabertura do Canal do Linguado ganhou força em diferentes momentos da história recente. Defensores da medida acreditam que a restauração do fluxo natural das águas poderia recuperar parte do equilíbrio ambiental da Baía Babitonga. Já os críticos alertam para os desafios técnicos, os altos custos envolvidos e os possíveis impactos sobre a infraestrutura existente. Hoje, quase um século após o aterramento, o Canal do Linguado permanece como uma cicatriz visível na geografia e na história de São Francisco do Sul. Mais do que uma obra do passado, ele representa um debate atual sobre desenvolvimento, preservação ambiental e o futuro de um dos ecossistemas mais importantes de Santa Catarina. Enquanto estudos avançam e diferentes setores defendem suas posições, uma pergunta continua ecoando entre os moradores da região: seria possível reparar uma intervenção realizada há quase cem anos e devolver à Baía Babitonga parte de sua dinâmica natural?