O Porto de São Francisco do Sul acaba de alcançar um reconhecimento histórico para o setor portuário brasileiro. A autoridade portuária catarinense recebeu o Prêmio Marítimo das Américas 2026, concedido pela Organização dos Estados Americanos (OEA), tornando-se o primeiro porto público do Brasil a vencer a categoria “Iniciativas Verdes em Portos” em toda a história da premiação.

O reconhecimento internacional destaca um projeto que une desenvolvimento econômico, ampliação da infraestrutura logística e recuperação ambiental, colocando a Baía Babitonga no centro de uma das iniciativas mais inovadoras do continente.

Dragagem com propósito ambiental

A premiação foi concedida em razão da obra de aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga, iniciada em 2024. O projeto prevê a retirada de aproximadamente 12,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos para permitir a entrada de embarcações maiores nos portos de São Francisco do Sul e Itapoá, aumentando a competitividade do complexo portuário catarinense.

O que chamou a atenção dos avaliadores internacionais foi o destino dado ao material dragado. Em vez de ser descartada em alto-mar, parte significativa da areia retirada está sendo utilizada em uma grande obra de recuperação costeira em Itapoá.

Ao longo de um trecho de cerca de oito quilômetros, a faixa de areia da praia está sendo ampliada em uma intervenção considerada uma das maiores já realizadas no Brasil com essa finalidade.

Reconhecimento internacional

O projeto catarinense foi escolhido por um comitê internacional entre 30 iniciativas apresentadas por representantes de 11 países das Américas. A cerimônia de premiação ocorreu nesta semana, em Barbados, e contou com a presença de autoridades e representantes do setor marítimo internacional.

O prêmio foi recebido pelo presidente do Porto de São Francisco do Sul, Cleverton Vieira, que representou a autoridade portuária durante o evento.

Muito além da infraestrutura

Além dos benefícios para a navegação e para a economia regional, a iniciativa contempla uma série de ações ambientais. Entre elas estão a recuperação de dunas, o plantio de espécies nativas de restinga e a implantação de estruturas de proteção para reduzir o impacto sobre a vegetação costeira.

A proposta demonstra que obras de grande porte podem ser planejadas de forma integrada, conciliando crescimento econômico e preservação ambiental.

Um novo modelo para os portos brasileiros

O reconhecimento da OEA reforça uma tendência que vem ganhando espaço no setor portuário mundial: a busca por soluções capazes de ampliar a capacidade operacional sem abrir mão da sustentabilidade.

No caso da Baía Babitonga, a dragagem deixou de ser apenas uma obra de infraestrutura para se transformar também em uma ferramenta de recuperação ambiental. Essa combinação entre eficiência logística e responsabilidade ecológica foi justamente o diferencial que colocou São Francisco do Sul em destaque entre projetos de todo o continente.

Para a cidade e para Santa Catarina, o prêmio representa mais do que uma conquista institucional. É o reconhecimento internacional de uma iniciativa que projeta a região como referência em inovação, desenvolvimento sustentável e gestão portuária.

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